terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É a esperança encontrando a casa


Sempre achei brega quando a pessoa fala : só quero paz na vida.
Nunca quis paz na vida. 
Agora eu quero.

Tout paraît inconnu tout croque sous la dent
Et le bruit du chagrin s'éloigne lentement
Et le bruit du passé se tait tout simplement
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Tudo parece incerto, tudo trinca sob o dente
E o barulho da tristeza lentamente se afasta
E o barulho do passado simplesmente se cala
                                            Carla Bruni (L'amoureuse)
Pra você Pri, tamo junto!

Eu penso em nunca mais ser lasciva

Eu dou.
Me me entrego sem responsabilidade, encanto, conquisto, rebolo pra cá e pra lá, vou na boate e tiro a roupa e tiro os óculos pra não enxergar ninguém, pra não reconher conhecidos e pra esnobar todos os homens bonitos.
Reencontrei um carinha que teve a insolência de um dia me qualificar como perigosa, coitado, ele estava lá com a namoradinha dele, fofos, pois eu na cara de pau esperei o tal ir ao banheiro e fui atrás, abordei e disse-com-já-três-litros-de-álcool-na-cabeça-e-sem-vergonha-nenhuma-na-cara: "E aí, arrumou uma mulherzinha menos perigosa para você?".
Reencontrei um ex, e ele estava tão calmo que me fez ficar calma também. Me ofereceu suco e salgado, estava com um ocúlos estiloso como o meu, me ajudou a tirar a fita do cartaz. Ele também tem uma namoradinha toda delicadinha.
Quis sair correndo!
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A louca varrida saiu do isolamento de dias, vendo as temporadas de House, pra ir a um lugar sujo que só toca sertanejo com cerveja barata, aprontar, pedir ajuda a um desconhecido e acorda, enfim.
Nessas horas que percebo o meu buraco, não passo de um buraco. Porque faço tudo o que quero e não tem ninguém pra me dizer:
"Sua vagabunda, tem mãe não?"
Aí quero ser freira, nunca mais beber etc, fazer voto de castidade. Um surto de santidade, quero ir a missa, quero rezar o terço, quero amar as pessoas, quero nunca mais me expor, penso até em prestar concurso ou ser advogada.

*Inspiração: Vou pra rua e bebo a tempestade (Bom Conselho-Chico)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Da época que em frequentava sorveterias

Para Vinícius José

Nunca estivemos dentro, dentro de um jeito junto, de um jeito suado, de um jeito maiores de idade, de um jeito menos limpo. Estivemos perto, perto das mães, da família, da gracinha que é ter um primeiro namoradinho. Estivemos na missa, na sorveteria...
Foi uma coisa boa, apesar que naquela época eu já demonstrava sinais de demência sentimental. Você o aspirante a Unb, o saudável lutador, o querido por todas. E a gente era Legião, história e estrelas.
E tem mais coisas também.
Depois eu enloqueci, não quis o romance dos sábios, dos bons. E você foi para Brasília e virou vegan. E pirei vezes mais e seguidas, te desprezei, te quis de volta, te fiz mal, me arrependi e virei sua amiga. 
E quando você volta de lá e resolve me dar um "oi". Ah, e sinto seu cheiro e a gente faz caminhada. E isso é tão especial, fica tudo mais leve, visto minhas roupas rasgadas, deixo toda minha vaidade intelectual enterrada e volto aos anos 80.
Sempre vou ter vontade de te ver, de ver o quão interessantes ficamos e crescemos. Se estou pior e você continua especial, do bem, lindão, gostosão, bonitão.
Estivemos dentro de outro jeito, estamos perto a muito tempo, de lá até hoje. Aqui dentro de casa, no meu quarto, no oi que dou a sua mãe, no beijo que você dá na minha.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

João é gordo, José é feio

Prefácio:

E tem uma música dos Beatles que fala de um Homem de lugar nenhum (Nowhere man), sentado em sua terra de lugar nenhum fazendo planos que não existem. Um José da vida, aquele sem nome, sem mulher, sem coerência. Por isso prefiro os Joãos, Joãos são mais gordos, José é magro, João é grande e colorido, José é feio. Algumas coisas me incomodam tanto que vira escrita...

Coerência:

Desde sempre me faltou espaço, daí a pequenez junto ao que derramava, sobra tudo por pura falta de espaço. Coração pequeno, alma minúscula, buceta milimétrica, cabelo curto, pés compactos...
Até que tentei expandir algumas coisas, geralmente quando amo tudo cresce, escreve, viro quase um homem, amo tão grande. Amo que nem João.
E o que era miúdo ultrapassa os quilômetros de Goiânia até a Lua. O mundo dilata, tudo preenche, é copa do mundo, é gol do Brasil, é final de Big Brother, é a Mangueira ganhando o carnaval, é show histérico dos Beatles, é César Cielo batendo recorde, é pré-estréia de Tarantino. É tapete vermelho.

Depois as coisas adoecem. Sofro que nem José.

Observo de longe, quase não querendo enxergar, toda a pequenez, José volta rindo banguela, a miúdez voltando, só que volta como refúgio, como colo de mãe. Já conhecia tudo aquilo, aquilo é que era o normal. Era ali que eu ficava eu, ficava forte mesmo me vendo sem espaço. Ficava João aos olhos alheios, mesmo sendo José.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Goiânia no calor pós-moderno

Em tom de lesera-rê-bordosa uma filosofia de derreter, falta cerveja na minha geladeira:

Sabe João, quando entendo da universalidade dos sentimentos, das coisas, da igualdade, sinto que tudo já foi escrito, falado, vivido...
E ficou pequeno, sem graça, medíocre, sem sentido significativo. Sabe aquelas coisas significativas: pular de bungee jump, fazer sexo no cinema, puf! Isso é tão sem importância.
Nada de inédito a não ser o Haiti, você viu? que coisa triste, é como se o mundo estivesse num casulo só esperando tudo cair.
Já sei como é morrer, ficar de luto, chorar, ter ódio das garotinhas ensebadas, de pai, já sei como quebrar tudo e colar de volta, como é ter dengue e gripe A, sei que Paris é uma puta e Londres uma festa, já nem vale a pena ir lá e confirmar tudo.
O mundo diminuiu, ando vendo a banda passar, esperando na janela ai ai, talvez eu compre um vibrador e estoque comida, porque do resto já sei como funciona, já sei fazer primeiros socorros. Até o amor não é mais novidade!

*Texto escrito sob sensação termica de 218º!

domingo, 17 de janeiro de 2010



É que parece que sofrer de amor é vergonhoso.
E se expor desse tanto perigoso.